| name | mira-direct-scene |
| description | Dirigir a encenação de cada cena-slide do MIRA antes da coreografia, produzindo uma Encenação com composição, blocking dos atores, silhueta e escala, planos de profundidade com oclusão, enquadramento base, área segura, legibilidade, grade de cor do deck e continuidade visual entre slides adjacentes. Usar somente quando um MIRA Slide Score já existir, entre ele e o Motion Score, para planejar a encenação em texto. Não usar para criar a premissa, estruturar a história, definir a sequência de slides nem coreografar o movimento. NÃO usar para mexer num deck já feito: consertar animação, título ou composição de um slide existente é do /mira-animator, e o layout do deck é do /mira-builder. |
MIRA Direct Scene
Onde isto entra no Mira
Cadeia narrativa do Mira, em ordem: /mira-premise-forge, /mira-concept-storyteller, /mira-story-architect, /mira-design-audience-journey, /mira-direct-slide-sequence, /mira-direct-scene, /mira-direct-cinematic-motion, /mira-scene-brief. No fim, o /mira-animator (ou o /mira-cine-animator, no deck cinematográfico) escreve a animação dentro do index.html do deck, e o /mira-builder monta o resto.
Etapa 6. Recebe o Slide Score. Entrega a Encenação, que é o quadro montado antes de qualquer movimento.
Nenhuma skill desta cadeia escreve HTML, e nenhuma delas cria a metáfora animada: o método de metáfora, a rubrica de 85 e o código do slide são do /mira-animator.
Idioma e formatação seguem agents/_shared/idioma.md: português brasileiro com acentuação correta e UTF-8 direto, nunca entidades HTML nem escapes Unicode. Travessão é proibido em qualquer texto entregue, inclusive narração e texto de tela: use vírgula, dois-pontos ou reescreva a frase.
Resultado
Transformar cada cena-slide do MIRA Slide Score em uma Encenação: onde os atores estão, que tamanho têm, em que profundidade vivem, o que esconde o quê, que parte do quadro o olho lê primeiro, e que clima de cor o deck inteiro respira.
Direção de cena é o que existe antes do movimento. O mira-direct-slide-sequence decide o que acontece; esta skill decide como o quadro está montado quando acontece; o mira-direct-cinematic-motion decide como ele se move.
A Encenação é o que impede as duas falhas mais comuns de um deck MIRA: cena que flutua no vazio preto sem espaço nem chão, e deck que parece dez filmes diferentes.
Regras invioláveis
O quadro parado já conta
Congelar qualquer instante da cena deve produzir uma imagem que funciona sozinha. Se o quadro parado não diz quem age, sobre quem e com que consequência, o movimento vai carregar sozinho um peso que não é dele.
Profundidade se prova por oclusão
Distribuir atores em planos só produz espaço quando alguma coisa passa atrás de outra. Parallax sem oclusão continua lendo como recorte deslizante. Toda cena com profundidade declara onde a oclusão acontece.
A grade é do deck, não da cena
Escolher o clima de cor uma vez, para o deck inteiro. Grade por cena é como se obtém um deck que parece dez filmes diferentes. Desvio só quando é evento narrativo, e entra como transição, nunca como salto entre slides.
Encenação não substitui história
Nenhum recurso de cinema pode ser a única mudança de estado da cena. Se ao desligar profundidade, grade e enquadramento a cena deixa de contar a história, a história não existia.
Exceção, e é uma só: o deck cinematográfico. Quando o deck carrega o mira-cinema.js e quem implementa é o /mira-cine-animator, o cinema pode ser a mudança de estado dominante, e a encenação tem o dever de dirigi-lo assim quando a cena pedir. O teste vira o do irmão: tirando o cinema, sobrar menos história é legítimo; sobrar história nenhuma reprova nos dois casos. Encenar um deck cinematográfico com a trava do deck comum entrega um deck comum.
O ator tem nome
Cada ator recebe um id estável, porque é por ele que a coreografia vai buscar plano, alvo de câmera e marcação de legibilidade. Ator sem id é ator que o implementador vai reinventar.
Entradas
Obter ou inferir:
- MIRA Slide Score, com quadro inicial, ação e transição de cada cena;
- premissa, princípio organizador e imagem inesquecível;
- metáforas, símbolos e continuidade da Story Bible;
- tema do deck: cor primária, fundo, tipografia;
- template alvo (
mira-default, deck com card, sandeco-just-animation-template, Studio) e formato (16:9, 1:1, 9:16, terços);
- se o deck vai carregar o
mira-cinema.js, porque profundidade, câmera e grade dependem dele;
- destino: apresentação ao vivo, gravação ou exportação de vídeo.
Se a cena não tiver acontecimento observável, devolver para mira-direct-slide-sequence. Se não tiver metáfora concreta, devolver para o método do /mira-animator.
Fluxo obrigatório
0. Trancar a linguagem visual do deck
Uma vez, para todos os slides. Definir:
- mundo: de que material é feito esse universo, e que tipo de coisa habita nele;
- escala dominante: o público olha de perto, de longe ou de cima;
- silhueta de família: que formas se repetem e criam parentesco entre cenas;
- grade: um preset de cor para o deck inteiro (§6);
- regra de cor: uma cor de marca dominante, mais neutros. Paleta multicor só no template de animação pura.
Essas decisões nascem do princípio organizador. Um deck cuja identidade é o laranja não pode receber uma grade que apaga a marca.
1. Montar o quadro inicial
Para cada cena, converter o quadro descrito no Slide Score em composição concreta:
- ator dominante e onde ele fica;
- relação espacial que já carrega tensão antes de qualquer movimento;
- ponto onde o olho entra e para onde ele é levado;
- espaço vazio deliberado, que é o que dá ar à cena;
- chão, horizonte ou superfície de apoio. A maioria das cenas do MIRA flutua no vazio preto, e é a ausência de chão que faz o quadro parecer flutuante e barato. Se a cena vai ter sombra ou reflexo, o chão é obrigatório.
Usar composicao-e-planos.md.
2. Fazer o blocking dos atores
Marcar, por cena:
| Ator | id | Posição inicial | Escala | Papel na história | Posição final |
|---|
Regras de dosagem, todas numéricas:
- 1 ator focal por cena. Os demais apoiam, e apoio ocupa menos área, menos contraste e menos detalhe.
- No máximo 3 atores nomeados por cena. Este teto é de presença no quadro, não de movimento: quantos se mexem ao mesmo tempo é o teto do temperamento, na skill de movimento. Acima de 3 presentes, o quadro vira inventário.
- O ator focal ocupa entre 25% e 60% da altura útil. Menos que isso some na projeção; mais que isso não deixa a consequência aparecer.
Referente concreto vira ícone flat, não bolinha. Se dá para nomear o objeto, desenhe o objeto. O círculo genérico só é legítimo para o que é genuinamente abstrato: fluxo, sinal, energia, propagação.
E declare a origem de cada ator nomeado. Figura humana, mão, rosto, animal, veículo e anatomia articulada não podem ser desenhados à mão por quem implementa: eles precisam de SVG de fonte aberta ou de arquivo do autor. Marque esses atores na encenação e mande o /mira-asset-scout resolver antes do animador. Encenação que pede uma pessoa em pé sem dizer de onde ela vem produz boneco de trapézio.
3. Distribuir a profundidade
Atribuir cada ator a um plano, com z de 0 (colado na câmera) a 1 (infinito):
- 3 a 5 planos por cena, nunca mais.
- Pelo menos uma oclusão real, declarada com o instante em que acontece.
- Plano de fundo perde contraste e nitidez; plano da frente não pode disputar leitura com o focal.
- Desfoque com raio máximo 4, e só onde ele separa planos, nunca como clima geral.
Oclusão é doutrina, não API: ordem de empilhamento no SVG e máscara resolvem, e por isso ela funciona em qualquer deck. Parallax e z dependem do mira-cinema.js: em deck sem o módulo, encenar a profundidade por oclusão, escala, contraste e nitidez, e deixar os planos declarados para quando o módulo entrar.
4. Definir o enquadramento base
O enquadramento base é o quadro aberto da cena, e é nele que a área segura e o @MIRA:SIZE são medidos.
- O palco ocupa o quadro inteiro e o título flutua por cima dele.
- Nada focal acima da faixa do título. Movimento de ambiente pode atravessar, porque atrás do título ele lê como profundidade, não como conflito.
- 50 px de área segura em todas as bordas, em qualquer formato.
- Componha para preencher. O palco de um slide sem card é bem maior que o palco dentro de um card, e uma composição calibrada para o menor fica pequena e perdida no maior.
- Marcar aqui as regiões que valem um cue de câmera na coreografia, com a razão narrativa de cada uma. Escolher o cue é da skill de movimento; oferecer o alvo é desta.
5. Garantir legibilidade
- Hierarquia de valor: o ator focal é o de maior contraste contra o fundo, sempre.
- Texto dentro da cena é evidência, não legenda. Rótulo só quando a imagem não consegue dizer.
- Marcar os elementos de legibilidade crítica como traço fixo ou texto fixo, senão qualquer aproximação de câmera engorda traço e tipografia.
- Nenhum elemento indispensável na faixa do título nem na área segura.
- Conferir o quadro em escala de cinza: se a hierarquia sumir, ela dependia de cor.
6. Escolher a grade do deck
Um preset, herdado por todos os slides:
| Preset | Clima |
|---|
neutra | sem grade, cor do tema pura |
noite-fria | escuro, contrastado, dessaturado |
brasa | escuro e quente, saturação levemente alta |
clinica | claro, contraste baixo, quase sem vinheta |
penumbra | muito escuro, alto contraste, vinheta forte |
- A grade é derivada do tema, não imposta sobre ele. Preset que apaga a cor da marca não é oferecido.
- A grade se aplica ao palco, nunca à seção do slide e jamais ao corpo da página: fora do palco ela dessatura o título e desloca toda a interface fixa.
- Grão estático. Grão animado destrói a compressão na exportação para vídeo.
- Registrar a grade escolhida como decisão do deck, no artefato de planejamento.
7. Costurar a continuidade entre slides adjacentes
Para cada par de slides vizinhos, declarar o que atravessa:
- elemento que persiste e muda de função;
- silhueta que se repete em posição equivalente;
- direção de movimento que continua;
- escala que herda a anterior;
- cor que sobrevive à troca.
O primeiro quadro de um slide herda posição, silhueta e direção do último quadro do anterior. É trabalho de composição, e é o que faz slides vizinhos parecerem do mesmo filme.
🟡 Âncora entre slides e match cut estão planejados e ainda não existem no MIRA. Declarar a intenção de âncora quando ela for natural, marcar como pendente, e resolver a continuidade por composição enquanto isso. Par sem âncora natural é aceitável; ancorar à força produz interpolação que lê como defeito.
8. Variar sem quebrar o mundo
Ao longo do deck, alternar deliberadamente: escala íntima e ampla, densidade e vazio, centro e periferia, um ator e confronto de dois.
Rejeitar a cena que repete do vizinho a silhueta dominante, a organização espacial e a escala ao mesmo tempo. Repetição só vale como motivo narrativo declarado.
9. Aplicar o Gate de encenação
Pontuar de 0 a 5:
| Critério | Teste |
|---|
| Orientação | O quadro parado diz quem age e sobre quem? |
| Hierarquia | O olho encontra o ator focal sem procurar? |
| Profundidade | Existe oclusão real, e não só camadas em velocidades diferentes? |
| Chão | A cena tem apoio, ou flutua no vazio? |
| Legibilidade | Título, texto e traço sobrevivem à aproximação e à projeção? |
| Coerência de deck | Slides adjacentes parecem do mesmo filme? |
| Especificidade | Esta encenação pertence a esta história? |
| Robustez | Sem grade, sem planos e sem câmera, a cena ainda conta a história? |
Em deck sem o mira-cinema.js, a linha Profundidade é avaliada só pela oclusão, e a de Chão vale só quando a cena pede sombra ou reflexo. Critério indisponível é inerte, não reprovação: cena não perde nota por não ter recurso que o deck não carrega.
Exigir média mínima 4, nota 5 em robustez e nenhuma cena decisiva abaixo de 4 em orientação ou legibilidade.
Em deck cinematográfico (o mira-cinema.js instalado e o implementador sendo o
/mira-cine-animator), a linha Robustez troca de teste, e é a única que troca: tirando grade,
planos e câmera, sobrar menos história vale 5, porque ali o cinema pode carregar peso dramático
real; sobrar história nenhuma continua valendo 0, porque aí não havia cena, havia efeito. Exigir
robustez 5 sobre esse teste, com o resto do gate intacto.
Contrato de saída: Encenação
Entregar:
- linguagem visual do deck: mundo, escala dominante, silhueta de família, grade e regra de cor;
- tabela de blocking por cena, com
id, posição, escala e papel;
- mapa de planos por cena, com
z e a oclusão declarada;
- enquadramento base, área segura e regiões candidatas a cue de câmera;
- marcação de legibilidade: o que é fixo, o que é texto indispensável;
- mapa de continuidade entre pares adjacentes, com o que atravessa;
- pendências marcadas como planejadas, sem chamada de API;
- Gate de encenação e correções;
- handoff para
mira-direct-cinematic-motion.
Auditoria final
Bloquear e refazer se:
- o quadro parado não orientar espaço, ator e tensão;
- houver mais de 5 planos, ou planos declarados sem nenhuma oclusão;
- a cena precisar de sombra ou reflexo e não tiver chão;
- o ator focal disputar contraste com o ambiente;
- a grade for escolhida slide a slide, ou apagar a cor da marca;
- algo focal ocupar a faixa do título ou a área segura;
- dois slides vizinhos repetirem silhueta, espaço e escala juntos;
- a encenação depender de luz de cena ou de âncora entre slides, que ainda não existem; atmosfera em SVG (poeira, brasa, névoa por formas e gradientes) existe e pode ser dirigida, o que não existe é biblioteca de prateleira;
- a cena, descrita sem grade, sem planos e sem câmera, deixar de contar a história (em deck cinematográfico, o teste da Robustez acima: reprovar só quando não sobra história nenhuma).