| name | mira-premise-forge |
| description | Pesquisar notícias, lançamentos, tendências e informações atuais, desenterrar o momento Eureca escondido nelas e transformá-lo em premissas arrebatadoras, factualmente defensáveis e visualmente potentes para histórias MIRA. Usar quando o usuário pedir premissas, loglines ou ideias de história baseadas em fatos recentes, notícias, artigos, disputas tecnológicas, mudanças sociais, descobertas científicas ou acontecimentos reais. Não usar para desenvolver toda a estrutura da história, nem para criar ou animar slides, que são do /mira-builder e do /mira-animator. |
MIRA Premise Forge
Onde isto entra no Mira
Cadeia narrativa do Mira, em ordem: /mira-premise-forge, /mira-concept-storyteller, /mira-story-architect, /mira-design-audience-journey, /mira-direct-slide-sequence, /mira-direct-scene, /mira-direct-cinematic-motion, /mira-scene-brief. No fim, o /mira-animator (ou o /mira-cine-animator, no deck cinematográfico) escreve a animação dentro do index.html do deck, e o /mira-builder monta o resto.
Etapa 1. Recebe um tema, uma notícia ou um fato. Entrega o Premise Brief. Pode ser pulada quando a premissa já existe.
Nenhuma skill desta cadeia escreve HTML, e nenhuma delas cria a metáfora animada: o método de metáfora, a rubrica de 85 e o código do slide são do /mira-animator.
Idioma e formatação seguem agents/_shared/idioma.md: português brasileiro com acentuação correta e UTF-8 direto, nunca entidades HTML nem escapes Unicode. Travessão é proibido em qualquer texto entregue, inclusive narração e texto de tela: use vírgula, dois-pontos ou reescreva a frase.
Resultado
Transformar realidade atual em uma descoberta narrativa que provoque primeiro “Eureca, era isso que estava escondido aqui” e depois “Eu preciso ver essa história”, sem distorcer os fatos que lhe dão força.
Entregar um Premise Brief pronto para alimentar mira-concept-storyteller e mira-story-architect.
Regra inviolável
Não dramatizar uma afirmação atual antes de verificá-la. Separar:
- fato: sustentado diretamente por fonte adequada;
- inferência: conclusão plausível derivada dos fatos;
- interpretação: leitura estratégica, política, moral ou cultural;
- incerteza: ponto ainda não resolvido ou dependente de métrica.
Fazer a premissa nascer da tensão verdadeira entre os fatos. Nunca fabricar uma “verdade” mais cinematográfica.
Princípio do ouro enterrado
A manchete é apenas o terreno. A premissa nasce do ouro conceitual enterrado nela: uma relação causal, inversão, consequência ou mudança de critério que ainda não é óbvia.
Não aceitar como premissa:
- resumo da notícia;
- tema com linguagem dramática;
- comparação de atributos sem consequência;
- paradoxo verbal sem mecanismo;
- surpresa que não muda a compreensão do público.
Exigir uma descoberta capaz de ser expressa assim:
Eu pensava X. Agora percebo Y, porque Z. Isso muda W.
Essa descoberta é o momento Eureca. Ela deve conter o germe da surpresa, da aprendizagem e da emoção; esses efeitos não podem ser adicionados depois como decoração.
Entrada
Obter ou inferir:
- notícia, afirmação, tema ou tendência;
- público;
- conceito que a história deverá ensinar;
- escala: pessoa, empresa, país, setor ou humanidade;
- tom e duração desejados;
- período de atualidade relevante;
- limites políticos, éticos ou culturais.
Fluxo obrigatório
1. Construir o brief factual atual
Pesquisar a web sempre que o tema puder ter mudado. Preferir, nesta ordem:
- documentação, relatório técnico ou anúncio primário;
- pesquisa científica ou avaliação independente;
- veículo jornalístico reconhecido com apuração própria;
- análise especializada claramente identificada como interpretação.
Usar pelo menos duas fontes independentes para a afirmação central quando possível. Registrar data do fato, data da publicação, métrica usada e limitações. Consultar current-facts-workflow.md.
2. Escavar o ouro narrativo
Não saltar da pesquisa para uma logline. Investigar a realidade em camadas:
- superfície: o que a manchete afirma;
- mecanismo: o que faz o fenômeno acontecer;
- crença quebrada: qual regra o público ainda supõe verdadeira;
- inversão: o que passa a significar vitória, derrota, poder ou risco;
- consequência humana: quem terá de agir, perder, escolher ou mudar;
- prova dramática: que situação obrigará essa verdade a funcionar diante do público;
- sabedoria transferível: que novo critério o público poderá usar na própria vida.
Para cada uma de pelo menos três hipóteses de ouro, completar:
- Todo mundo olha para...
- Mas o que realmente está mudando é...
- Isso acontece porque...
- Se for verdade, então...
- A pessoa que mais perderia com isso é...
- A escolha que provaria essa verdade seria...
Consultar eureka-excavation.md. Não avançar enquanto a hipótese vencedora não revelar um mecanismo defensável e uma consequência dramática.
Depois da exploração horizontal, executar escavação vertical na hipótese mais forte:
- atacar a hipótese com a melhor objeção disponível;
- inverter causa e consequência;
- trocar novamente a unidade de análise;
- seguir o benefício até quem paga o custo;
- retirar todo jargão e reescrever para uma pessoa inteligente de outra área;
- condensar até restar uma única verdade inevitável.
Se a hipótese perder força sem jargão, ela ainda é uma análise especializada, não ouro narrativo.
3. Encontrar a fratura dramática
Extrair da realidade:
- forças ou mundos em colisão;
- assimetria inesperada;
- regra antiga que deixou de funcionar;
- vantagem visível e custo escondido;
- vencedor aparente e ameaça emergente;
- escolha impossível;
- contagem regressiva;
- consequência humana ou intelectual.
Formular a pergunta magnética: “Que realidade contraditória o público precisa ver em funcionamento?”
4. Formular e testar o momento Eureca
Condensar a hipótese vencedora:
Eu pensava [crença inicial].
Agora percebo [verdade contraintuitiva], porque [mecanismo verificável].
Isso muda [critério, decisão ou visão de mundo].
Aplicar o Gate Eureca. Todas as respostas precisam ser “sim”:
- A descoberta vai além do que a manchete já diz?
- Ela revela uma relação causal, estratégica ou moral, não apenas uma coincidência?
- Ela corrige uma crença plausível do público?
- Ela muda a unidade pela qual o fenômeno deve ser julgado?
- Ela produz uma consequência humana sentível?
- Ela pode ser demonstrada por ação, escolha e resultado?
- Ela continua verdadeira quando removemos países, marcas e nomes próprios?
- Ela oferece sabedoria aplicável fora desta notícia?
Se falhar, retornar à escavação. Não polir uma hipótese rasa.
5. Catapultar o ouro pelas dez lentes da premissa
Para cada hipótese de ouro finalista, escrever uma proto-premissa concreta e submetê-la às dez lentes inspiradas no processo do capítulo 2 de Anatomia da História:
- convicção: por que esta descoberta merece mudar o criador e o público;
- possibilidades e promessas: que acontecimentos a ideia permite e quais o público espera ver;
- problemas inerentes: que dificuldades conceituais, dramáticas, éticas ou visuais vêm embutidas;
- princípio organizador: qual processo profundo e execução original unificam a história;
- melhor personagem: quem revela o máximo da ideia por meio de ação e vulnerabilidade e não pode ser substituído por um porta-voz genérico;
- conflito central: quem disputa com quem, pelo quê, e por que ambos não podem vencer;
- espinha causal: como uma ação provoca a seguinte até a descoberta final;
- transformação: de que crença e modo de agir o protagonista parte e aonde chega;
- escolha moral: que decisão custosa revela o sentido da história;
- apelo ao público: por que alguém além do criador precisa acompanhar até o fim.
Consultar chapter-2-catapult.md e preencher o cartão das dez lentes. Falha grave em princípio organizador, conflito, causalidade, transformação ou escolha moral elimina a hipótese.
6. Executar o ciclo premise–princípio–premissa
Não confundir:
- premissa: o que concretamente acontece;
- princípio organizador: o processo abstrato e original pelo qual a história prova seu ouro.
Executar pelo menos uma volta:
proto-premissa concreta
→ induzir o princípio organizador
→ descobrir promessas e problemas
→ revisar personagem, conflito, causalidade e escolha
→ reescrever uma premissa mais original e orgânica
Gerar no mínimo três princípios organizadores possíveis para a mesma proto-premissa. Escolher o que melhor funde processo da história + execução original + demonstração do conceito. Não impor gênero, estrutura de slides ou metáfora decorativa de fora para dentro.
Aplicar o teste do desabamento: retirar o princípio organizador e imaginar a mesma trama. Se apenas a estética ou o motor visual mudar, ele era decoração. O princípio só passa se sua remoção romper a causalidade, a transformação ou a revelação central.
Repetir a volta somente enquanto houver ganho material. Registrar a diferença entre a primeira e a última versão para provar que o ouro foi realmente refinado.
7. Definir a promessa educativa e emocional
Antes da premissa, fixar:
- aprendizagem: o que o público conseguirá explicar;
- erro inicial: o que ele provavelmente acredita;
- sabedoria: que critério poderá aplicar fora da história;
- emoção central: curiosidade, tensão, assombro, perda, esperança ou ambivalência;
- causa da emoção: acontecimento que justificará senti-la.
8. Gerar famílias de premissa
Produzir no mínimo cinco candidatas, variando o princípio narrativo. Não trocar apenas nomes mantendo a mesma estrutura.
Usar, conforme o caso:
- colisão de forças;
- inversão de poder;
- vantagem assimétrica;
- falsa vitória;
- custo invisível;
- escolha impossível;
- convergência acelerada;
- contagem regressiva;
- regra quebrada;
- cavalo de Troia.
Consultar premise-patterns.md.
9. Escrever cada candidata
Para cada opção, entregar:
- “E se...?”: princípio narrativo em forma de pergunta;
- premissa: uma frase com ruptura, protagonista ou força, desejo, oposição, aposta e transformação prometida;
- ouro desenterrado: verdade que a ação provará;
- princípio organizador: processo profundo + execução original;
- protagonista, conflito e escolha: síntese do motor humano;
- espinha causal: ação inicial → escalada → descoberta → consequência;
- segredo da história: relação cujo significado será revelado gradualmente;
- motor visual: imagem ou transformação repetível em slides;
- promessa educativa;
- emoção e sua causa;
- limite factual: o que a história não poderá afirmar.
10. Aplicar o gate “Eu preciso ver isso”
Pontuar de 0 a 5:
| Critério | Pergunta |
|---|
| Imediatismo | A tensão é compreendida em segundos? |
| Eureca | A premissa contém uma descoberta que reorganiza o significado do fato? |
| Colisão | Há forças realmente incompatíveis ou em competição? |
| Curiosidade | Surge uma pergunta difícil de abandonar? |
| Aposta | Algo relevante pode ser perdido ou transformado? |
| Surpresa | A premissa desafia uma expectativa plausível? |
| Educação | O conflito demonstra o conceito verdadeiro? |
| Emoção | Existe consequência humana ou intelectual sentível? |
| Visualidade | A ideia gera ações e estados animáveis? |
| Expansão | Ela sustenta uma história completa? |
| Organicidade | Personagem, conflito, transformação e escolha nascem do mesmo ouro? |
| Fidelidade | Cada afirmação é defensável pelo brief factual? |
Exigir média mínima 4, nota mínima 4 em Eureca, curiosidade, visualidade e organicidade e nota 5 em fidelidade. Se nenhuma passar, voltar à pesquisa ou gerar nova família.
Aplicar ainda quatro vetos absolutos, independentemente da média:
- não existe perda, risco, culpa, renúncia ou sacrifício concreto antes da escolha;
- outro personagem genérico poderia ocupar o lugar do protagonista sem alterar a história;
- retirar o princípio organizador preserva a mesma trama;
- o ouro não pode ser explicado em linguagem comum sem perder o significado.
11. Executar auditoria adversarial
Tentar destruir a candidata vencedora:
- Ela generaliza um caso para todo um país, setor ou categoria?
- Confunde preço, custo, tamanho, parâmetros, memória, bytes, energia ou velocidade?
- Trata benchmark como capacidade universal?
- Transforma correlação em causalidade?
- Cria um vencedor definitivo onde os dados mostram segmentação?
- Converte concorrência complexa em caricatura nacional?
- Promete um segredo maior que o fato consegue pagar?
- A suposta descoberta é apenas a manchete reescrita?
- O “porque” contém um mecanismo ou apenas outra afirmação?
- A surpresa desaparece assim que retiramos os adjetivos?
- A consequência nasce do ouro encontrado ou foi enxertada depois?
- O princípio organizador é apenas gênero, estética ou metáfora decorativa?
- A história possui mais de uma espinha causal competindo por atenção?
- O personagem é realmente o melhor para revelar a ideia ou apenas um porta-voz conveniente?
- A escolha final testa o ouro ou apenas encerra a trama?
- A emoção possui um acontecimento e um custo observáveis ou é apenas fascínio intelectual?
- A premissa continua arrebatadora depois que todo jargão técnico é removido?
Corrigir a premissa ou declarar explicitamente o limite.
12. Selecionar e preparar o handoff
Escolher uma vencedora e explicar por que supera as demais. Preservar até duas alternativas quando oferecerem histórias genuinamente diferentes.
Entregar o brief à mira-concept-storyteller para garantir a metáfora e à mira-story-architect para construir a Story Bible.
Contrato de saída: Premise Brief
Entregar:
- realidade verificada, com data e fontes;
- fatos, inferências, interpretações e incertezas;
- mapa de escavação e três hipóteses de ouro;
- momento Eureca vencedor;
- cartão das dez lentes;
- ciclo proto-premissa → princípio organizador → premissa refinada;
- fratura dramática;
- promessa educativa e emocional;
- cinco ou mais candidatas;
- matriz de pontuação;
- premissa vencedora;
- princípio organizador, personagem, conflito, espinha causal e escolha moral;
- ouro, segredo e motor visual;
- limites factuais;
- handoff para arquitetura narrativa.
Quando o usuário pedir apenas uma premissa rápida, pesquisar e validar internamente, mostrar a vencedora e incluir uma justificativa e o limite factual em poucas linhas.
Auditoria final
Bloquear e refazer se:
- a premissa depender de fato desatualizado ou sem fonte;
- a colisão for apenas geopolítica e não tiver mecanismo concreto;
- a história reforçar estereótipo nacional ou cultural;
- a pergunta puder ser respondida sem acompanhar acontecimentos;
- a premissa for apenas tema ou manchete reescrita;
- o momento Eureca não mudar a compreensão ou o critério de decisão do público;
- o ouro não puder ser expresso como crença quebrada + mecanismo + consequência;
- a premissa e o princípio organizador forem confundidos;
- não houver uma única espinha de causa e efeito;
- protagonista, conflito, transformação e escolha moral não nascerem da descoberta central;
- a substituição do protagonista por um observador genérico não alterar a história;
- a remoção do princípio organizador não fizer a trama desabar;
- não houver perda humana concreta antes da escolha final;
- o ouro depender de jargão para parecer profundo;
- os problemas e as promessas inerentes da ideia não forem identificados;
- o conceito não puder ser demonstrado visualmente;
- surpresa, educação ou emoção forem apenas adjetivos sem causa estrutural;
- a premissa não sustentar os sete passos e uma transformação.